Falar sobre nós com alguém de pouco serve. A nossa história é incompreensível para a maioria das pessoas. Nós vivemos 15 anos quase colados. Sempre juntos, todos os dias. Mesmo depois de divorciados continuamos a ser muito um para o outro. Independentemente das mágoas, das tristezas e desilusões.
Os conselhos que nos possam dar à luz de outros divórcios, de outras relações, de outros casos pecarão sempre por defeito. Porque a nossa ligação é muito superior a muitos casados até aqueles aparentemente sempre felizes. Porque nós nunca fomos apenas marido e mulher.
Mais que minha mulher sempre foste realmente família. És da minha família. E sei que dizer-te isto te pode chocar porque o que fiz certamente não esta de acordo com o que é uma família para ti. Mas eu, ao analisar o passado vejo que na realidade a partir de certa altura te via como se fosses família de sangue. Nao a que escolhemos durante a nossa vida, mas sim como se fosses de origem da minha vida. Da família que te adora e perdoa sempre independentemente do que tu faças ou não faças.
Esse foi o meu maior erro.
Tu não és a minha mãe, a minha avo, a minha tia ou prima. E eu nao podia esperar que aceitasses os meus despautérios sem sofreres com isso e sem me cobrares o comportamento devido ao teu marido e pai dos teus filhos.
E agora nao te posso oferecer a emoção e o nervoso miudinho de uma nova paixão , de uma aventura nova, do desconhecido que se investiga e do jogo da sedução nova.
E isso faz-me temer que por muito que tente, nao consiga mostrar que o amor que sinto por ti e o conforto e segurança da nossa confortabilidade mutua nos permite, mesmo que acrescida de um novo empenho e atitude, possa ser mais atractivo que a adrenalina que a novidade traz
Já te disse que te amo ?
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